casal que curte sadomasoquismo

Como o sexo de dominação e submissão pode ser tão bom para alguns?

O Camerahot, pensando em vocês, leitores, preparou uma surpresa para a primeira semana de todo mês. Reservaremos a data para que cada postagem aborde um fetiche específico, servindo para tirar suas dúvidas, além de, claro, aguçar sua imaginação na hora H com seu parceiro ou parceira, fazendo-os desfrutar de experiências novas e que, muitas vezes, sofrem por um preconceito enorme por não se ter grande conhecimento a respeito.

E considerado um dos mais estranhos, mas não o mais; mesmo parecendo descabido para a maioria das pessoas, é fato que suas possibilidades eróticas acabam por revelar muito prazer. Nesse primeiro encontro, escolhemos para trazer a vocês o sadomasoquismo. Para os íntimos da técnica (ou seria arte?), SM.

O termo sadomasoquismo surgiu em 1886, criado por um psiquiatra austríaco Richard Freiherr Von Krafft-Ebing, no livro Psychopathia Sexualis. Mas o ato em si é separado em duas vertentes sexuais: o sadismo e o masoquismo.

#sadomasoquismo

Spanking-sadomasoquismo

Sadomasoquismo - chicote

A expressão sadismo foi inspirada no Marquês de Sade, escritor francês que publicou diversos livros com referências a práticas sexuais fora dos padrões, por assim dizer.

Já o termo masoquismo surgiu no século 19, no conto Vênus em peles (1896), escrito pelo jornalista e escritor austríaco Leopold von Sacher-Masoch. Assim como Sade, o autor descreveria diversas fantasias sexuais, incluindo a da mulher dominante.

A prática é considerada estranha para alguns que não conseguem ver prazer no fato de provocar e receber atos que levam à dor, às vezes extrema, entre os parceiros. Das interpretações errôneas que se tem em relação a mais essa fantasia sexual, a principal é que a pessoa que gosta de infligir dor ao parceiro possa trazer para o ambiente cotidiano essa mesma agressividade.

Lucas M., 22 anos, é adepto do sadomasoquismo e desmente essa teoria. “Entre quatro paredes, podemos ser quem quiser, isso não quer dizer que sou agressivo fora delas. Muito pelo contrário, minhas namoradas sempre disseram que sou muito carinhoso fora do sexo.”
Para comprovar melhor o fato da violência não vir às ruas, por tratar-se de um prazer associado à dor e humilhação, desde a dominação e submissão, até as ações com dores ou punições físicas, ele não diz respeito a um comportamento explosivo ou violento, somente a uma necessidade de domínio na cama.

Em um casal que curte o sadomasoquismo, o ato sexual se resume a duas repartições: o sádico, ou seja, aquele que gosta de provocar o sofrimento; e o masoquista, ou seja, aquele que sente prazer em sentir dor. Este segundo, para sentir prazer, sente uma grande necessidade de sofrer para agradar o parceiro.

Porém, para que um relacionamento dê certo, é necessário que ambos tenham seus papeis bem expostos e gostem da fantasia. “O SM deve ser consensual, sempre! Já tive uma namorada que não gostava e a respeitei o tempo que nosso relacionamento durou”, comenta Lucas.

Para que você possa sugerir ao seu parceiro ou parceira essa prática, os limites de cada pessoa devem ser bem conversados, estabelecidos e respeitados, principalmente. No final, ninguém acaba sofrendo, apesar da prática, a escolha de cada um ter o prazer através da dor é única.

É bom se valer que o SM não é, necessariamente, só o prazer através da dor. Episódios de humilhação nos quais o dominador (sádico) aflige ao submisso (masoquista) situações vexatórias como a utilização de uma coleira e expressões como “minha cadelinha”, é comum também.Para Lucas, o que mais o excita na prática é o cenário, os rituais, o ambiente que o cerca, as roupas, especialmente justas e de couro (de preferência com spikes), além de toda a sensualidade, provocação entre parceiros. “É exatamente esse o motivo que todos que praticam chegam ao orgasmo sem nem serem tocadas.”, finaliza ele.

O tema, apesar de ainda chocar, já vem entrando em divulgação nos últimos anos. Filmes como 50 tons de cinza e Corpo em evidência são provas de que, de alguma forma, o SM é um ato prazeroso para quem o deseja.

No primeiro, ao apaixonar-se pelo misterioso Christian Gray, Anastasia acaba descobrindo um mundo novo de sexo, no qual ela acaba cedendo às vontades de Gray, participando de diversas cenas calientes nas quais mostra-se submissa diante do poder e da dominação do rapaz.

Em Corpo em evidência, filme com diversas visões de sexo no qual Madonna interpreta a personagem principal, em uma de suas cenas mais emblemáticas, a moça derrete uma vela, deixando escorrer a cera quente sobre o corpo do amante.

E a biologia?

Nas explicações biológicas, algumas pesquisas tentam comprovar que o nível de alguns hormônios se altera quando o sexo passa a ser mais agressivo, caracterizando o SM.

De acordo com a pesquisa do Northern Illinois University (EUA), durante essa prática sexual baseada no sofrimento do outro, o cortisol (hormônio relacionado ao estresse) da pessoa submissa, ou seja, do masoquista, tem uma caída em seus níveis e é a partir desse momento que a sensação de dor vira prazer. Já em um estudo de 2009, conduzido no Reino Unido pelo Imperial College London, a dopamina (neurotransmissor relacionado ao prazer), que é liberada em altos níveis quando há esse estímulo causado pela dor.

Alguns termos comuns à prática:

Bondage: é a utilização de algemas, cordas, fitas, amarras, qualquer tipo de coisa na qual o dominador poderá imobilizar o submisso.

Bondage-sadomasoquismo

Asfixia sexual: muito comum, quando o parceiro chega ao orgasmo, o mesmo é sufocado com um saco.

Asfixia sexual-sadomasoquismo

Spanking: utilizando palmatórias ou quaisquer outros objetos, é a mais comum no SM, no qual o parceiro bate no outro.

Sadomasoquismo - spanking

Kits: alguns objetos são clássico para os verdadeiros praticantes, entre eles: salto agulho, vela para provocar queimaduras, pregadores para os mamilos, pênis e clitórias, algemas, roupas de couro coladas ao corpo, cordas, cadeados, fitas adesivas e tachas pontiagudas.

sadomasoquismo

Dominatrix: são as meninas dominantes que gostam de infligir dor ao parceiro, geralmente cobertas com couro e salto alto

dominatrix-sadomasoquismo

Curiosidade:
Você se lembra da personagem Tiazinha, interpretada por Suzana Alves, no programa H, de Luciano Hulk? Ela é uma das figuras icônicas desse tipo de prática e já naquela época, por volta de 1990, utilizava cera quente para depilar os rapazes no programa. Eis aí o sentimento de provocar dor.

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